sábado, 19 de novembro de 2016

“E se?”

E se? E se eu não tivesse te conhecido naquele dia? E se eu não tivesse te dito “Oi”? E se você não tivesse me respondido de volta com esse seu sorriso lindo? E se eu não tivesse me encantado pelo brilho dos seus olhos castanhos? E se eu não tivesse achado engraçado aquela sua piada idiota? E se eu não tivesse gostado do seu nome que é igualzinho ao nome do meu personagem de livro favorito. E se eu não tivesse naquele momento me apaixonado por você? E se não fosse apenas uma paixão? E se você não tivesse bagunçado o meu coração? E se eu não tivesse gostado dessa bagunça? E se eu não pensasse em você 24 horas por dia? São tantas possibilidades do que poderia ter acontecido, mas de uma tenho a certeza: Foi amor. E tê-lo ao meu lado, em minha vida foi a melhor delas e mesmo que não esteja mais aqui comigo nesse momento. Em meu coração você sempre vai estar e ao ouvir seu nome ou te vê, meu coração irá disparar, pois é você que eu amo de verdade e sempre vou amar. Você é o único dono do meu coração.
— Almalizo & Escritorragia em: “E se?”  

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

— Coleções de um menino.

Já eram seis da manhã e tudo parecia do mesmo jeito, a mesma vidinha chata, monótona e cheia de decepções. Mas o engraçado disso tudo era que eu tinha um motivo pra acordar nesse horário: a cafeteria, perto da faculdade, costumava abrir nesse horário, e tinha o melhor café da cidade. Claro, é óbvio que eu não iria lá apenas pra tomá-lo… Fazer o que se minha carne é fraca e ela tão bela. Afinal de contas, o primeiro tempo de aula só eram três horas depois. Mas valia a pena chegar nesse horário, porque dava pra ver em seus olhos que ela odiava acordar cedo. Então ela ficava de bico e com cara de rabugenta, querendo voltar pra cama. Você deve se questionar o porquê eu gostava disso, mas a resposta era simples: ela ficava linda fazendo bico. 
Uma garota estatura média, morena de cabelo longo e com os olhos negros que brilhavam mais que as estrelas. Me perguntava onde estariam as asas dela, pois, se não fosse um anjo, bom… Então não sei o que ela era. 
Seu nome era Anne — eu só sabia disso, pois estava escrito em seu avental — morria de vergonha e não tinha coragem de falar com ela, imagina então, coragem pra convidá-la pra sair, pois é, não tinha. 
Sentado na última mesa que ficava ao lado da janela, onde podia assistir o movimento dos carros, pessoas e até mesmo dos pássaros, enquanto espera ela me atender. Meu coração acelerava sempre quando ela vinha em minha direção anotar meu pedido e hoje não estava sendo diferente.
— Bom dia! Vai querer o mesmo de sempre? 
— Sim, por favor — o sorriso dela era tão simples, mas ao mesmo tempo acordava as borboletas no meu estômago.
Ao se passar alguns minutos, lá vinha ela novamente com a bandeja. Sempre pedia um cappuccino médio e cinco pães de queijo.
— Com licença, aqui está o seu pedido, mas alguma coisa? 
— É… N… Não. Muito obrigado. 
Quando ela seguia o seu caminho de volta para a cozinha ela se virou e me olhou nos olhos. Nunca imaginei que ela teria essa dúvida, que ela teria a curiosidade de saber isto, mas então ela me perguntou. 
— Desculpa a curiosidade, mas você sempre vem aqui no mesmo horário, todas as manhãs. Já é de casa, mas nunca soube teu nome. 
— Aaah… É… Me desculpa, meu nome é Caleb, Caleb Green— não precisava de um espelho, mas era algo notável que eu estava vermelho de tanta vergonha. 
— Muito prazer, meu nome é… 
— Anne!
— Anne… Prestor — ela me olhava de forma assustada. 
— É que está escrito no teu avental, me desculpe — envergonhado apenas olhava para minha refeição, mas quando a olhava novamente ela estava rindo e isso me deixava nas nuvens. 
Então alguém do outro lado gritava, chamando a garçonete para fazer o pedido. 
— Ah, sim. Tinha me esquecido desse detalhe. Prazer em conhecê-lo. Vou indo, que estão me chamando.
Aquele momento via meu coração na garganta, minhas mãos estavam suando, meu Deus… Ela era perfeita.

http://renunciei.tumblr.com/post/145334619090/j%C3%A1-eram-seis-da-manh%C3%A3-e-tudo-parecia-do-mesmo

Coisas que você não precisa necessariamente antes dos 20

Estar na faculdade. estar namorando. ter estabilidade emocional. ter um emprego que te pague fortunas. beber como se não houvesse amanhã. usar drogas. ter redes sociais. ter um celular de ultima geração. ser magro. ter um carro. ter paciência (você ainda vai aprender muito para não se estressar mais com as coisas). ter uma caralhada de amigos. viver sorrindo pra todo mundo. 

sábado, 5 de novembro de 2016

Esfaqueem-me


Usem facas
espetos, cacos de vidro
ou até mesmo palavras
me façam sentir algo
pois já estou morto
os inquilinos já calaram-se
minha sanidade fala baixinho
arrancam-me poemas tristes
e me pedem para adorar a um deus
quem são vocês para falar de glória?
quem é você se não um resto de pó?
você se reconhece no espelho?
sabe de onde veio?
do pó à loucura.
Você tem cheiro de manhã
e desses raios solares que usam as frestas da janela para invadir a casa.
você cheira a café
feito antes dos pássaros acordarem.
cheira a abraço sonolento
após uma noite não dormida.
você cheira a coisas boas
mas eu tenho medo de coisas boas.
porque coisas boas 
às vezes só são boas no começo
e quando a gente começa a amar, essas coisas mudam.
e mudança às vezes dói.
-

Se chover, sou eu

cansei de chorar pelos olhos
ou dedos
agora eu choro pelo céu!
então já sabe…
se chover, sou eu.
— paris, 1992.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Desisti

Desisti. E isso é a coisa mais triste que tenho a dizer. A coisa mais triste que já me aconteceu. Eu simplesmente desisti. Não brigo mais com a vida, não quero entender nada. Vou nos lugares, vejo a opinião de todo mundo, coisas que acho deprê, outras que quero somar, mas as deixo lá. Deixo tudo lá. Não mexo em nada. Não quero. Odeio as frases em inglês mas o tempo todo penso “I don’t care”. Me nego a brigar. Pra quê? Passei uma vida sendo a irritadinha, a que queria tudo do seu jeito. Amor só é amor se for assim. Sotaque tem que ser assim. Comer tem que ser assim. Dirigir, trabalhar, dormir, respirar. E eu seguia brigando. Querendo o mundo do meu jeito. Na minha hora. Querendo consertar a fome do mundo e o restaurante brega. Agora, não quero mais nada. De verdade. Não vejo o que é feio e o que é bonito. Não ligo se a faca tirar uma lasca do meu dedo na hora de cortar a maça. Não ligo pra dor. Pro sangue. Pro desfecho da novela. Se o trânsito parou, não buzino. Se o brinco foi pelo ralo, foda-se. Deixa assim. A vida é assim. Não brigo mais. Não quero arrumar, tentar, me vingar, não quero segunda chance, não quero ganhar, não quero vencer, não quero a última palavra, a explicação, a mudança, a luta, o jeito. Eu quero não sentir. Quero ver a vida em volta, sem sentir nada. Quero ter uma emoção paralítica. Só rir de leve e superficialmente. Do que tiver muita graça. E talvez escorrer uma lágrima para o que for insuportável. Nada pessoal. Algo tipo fantoche, alguém que enfie a mão por dentro de mim, vez ou outra, e me cause um movimento qualquer. Quero não sentir mais porra nenhuma. Só não sou uma suicida em potencial porque ser fria me causa alguma curiosidade. O mundo me viu descabelar, agora vai me ver dormir. Eu quis tanto ser feliz. Tanto. Chegava a ser arrogante. Tanta coisa dentro do peito. Tanta vida. Tanta coisa que só afugenta a tudo e a todos. Ninguém dá conta do saco sem fundo de quem devora o mundo e ainda assim não basta. Ninguém dá conta e quer saber? Nem eu. Chega. Não quero mais ser feliz. Nem triste. Nem nada. Eu quis muito mandar na vida. Agora, nem chego a ser mandada por ela. Eu simplesmente me recuso a repassar a história, seja ela qual for, pela milésima vez. Deixa a vida ser como é. Desde que eu continue dormindo. Ser invisível, meu grande pavor, ganhou finalmente uma grande desimportância. Quase um alivio. I don’t care.
— Tati Bernardi.   

domingo, 7 de agosto de 2016

Talvez a última


Mais uma vez, deitar,

Com olhos fechados,

Lágrimas no travesseiro,

E coração apertado,


Mais uma vez, chorar,

Deitada em minha cama,

Esperando algum sinal,

Pra acabar com esse meu drama,


Mais uma vez acreditar,

Que tudo vai passar,

Que será passageiro,

Amanhã quando acordar,


Mais uma vez pensar,

Que tudo pode acabar,

Eu sofro em silêncio,

Para ninguém escutar,


Mais uma vez querer,

Que seja a última vez,

Para que de alguma forma,

Eu para de sofrer,


Mais uma vez, talvez,

Seja essa a última,

Eu já estou cansada,

De chorar por você.


-Bru Gomes

sábado, 23 de julho de 2016

O amor....

Você olha para o lado e no muro mais uma frase romântica pichada. Sorri feliz e até tira uma foto, o amor está lá, pintado no e emocionando quem passar por ali e ler. O amor está escrito no papel da bala, com frases curtas e incríveis e parece o suficiente. No adesivo do carro com corações vermelhos. E agora, ele também está lá, publicado no seu mural todos os dias. O amor está sendo divulgado em frases mal elaboradas a espera de mais uma opção curtir, de mais um seguidor. Em tempos onde todos viraram poetas e discípulos do romantismo, o amor se perdeu de vez num emaranhado de palavras que, juntas dizem menos do que separadas. E ‘eu te amo’ é frase que se compra e se vende mais barato do que pastel de feira. Antes o amor era cafona, agora o amor é plágio. Vem cá, onde ele foi parar mesmo? Do luxo ao lixo. Saiu dos corações, dos beijos molhados, das surpresas e das mãos dadas para virar politicagem barata em redes sociais. O amor está em promoção: “curta um e leve dois”. A nova aliança é ‘me segue que eu te sigo’ de volta. O romance escorre nas palavras enquanto o computador está ligado, depois são lágrimas que escorrem no travesseiro sem ninguém perceber. E no dia seguinte, uma frase de Vinícius de Moraes publicada só para dizer ao mundo que você ama e é feliz. Quando na realidade não sente um beijo de verdade faz um bom tempo. Tão acostumados a escrever, nós deixamos de dizer. E quanto menos se diz sobre o amor, menos se sabe sobre ele, menos se vive e muito menos se sente ou faz com que o outro sinta. Amar não é só escrever que ama. E se quiser digitar uma poesia, faça isso com seus dedos em minhas costas, por favor! Pior do que se ajoelhar virtualmente e declarar o amor para milhares de amigos que você sequer cruzou nos corredores do colegial ler, é aceitar aquelas declarações emolduradas por uma tela de computador, com palavras previamente ensaiadas, com pedaços de músicas se encaixando perfeitamente, vírgulas nos lugares exatos, reticências poéticas e uma concordância escandalosamente perfeita num exagero beirando o precipício. O amor escrito minuciosamente. Ali, perfeito e entregue de bandeja. E você aceita essa bandeja sem questionar e sem lamentar que não pode segurar ela com as mãos. Pior é acreditar em parágrafos que circulam em Ctrl C + Ctrl V e se sentir especial. Se o amor fosse uma pessoa, com toda certeza iria encher a nossa cara de porradas e cobrar ‘que porra é essa que vocês estão fazendo comigo?’. O amor virando palhaço de circo e a gente aplaudindo. O amor na vitrine e a gente se contentando em só olhar. O amor que antes era uma linda e natural flor, com cheiro e textura, agora virando flor animada em GIF, coberta de glitter. Me diz, cadê o toque? Onde estão os ‘eu te amo’ sussurrados ao pé do ouvido? As declarações mal feitas, acompanhadas de olhares apaixonados com medo de falhar? Onde estão os arrepios e o perfume? Estão todos engavetados e esquecidos e a culpa é toda nossa, simplesmente porque nós não cobramos o amor na carne. Não exigimos o amor ao vivo, no último volume. Temos medo de encarar o real tamanho do sentimento, e então usamos escudos disfarçados de telas frias e filtros do Instagram. Se for por culpa da distância, tudo bem e a gente aceita declarações que ajudem a manter a lembrança de que o outro existe e ama. Mas faça isso com competência. Muitos querem uma grande estória de amor, mas poucos são competentes para isso. Se for virtual, prefira então as promessas. E principalmente, aquelas que se cumpram depois lá fora, no mundo real, onde a gente se olha nos olhos enquanto faz amor. Onde compartilhamos a saliva e o suor – e não apenas frases. O amor não pode ser descartável. O amor não pode ser assim, fácil de deletar. Bastando um backspace e o amor acaba. Bastando um ‘desfazer amizade’ e o amor some. Bastando uma tinta no muro e o romantismo sendo abduzido sem que ninguém note. Não! Queira do amor tudo o que ele pode oferecer. A voz, a pele, o gosto, o olhar e a dor. Viva e morra por amores profundos e reais. Sofrer por publicações é humilhante. Morrer de amor apenas por frases é decadente. Faça-me versos sim, me cante com poesias de Leminski e Drummond de Andrade. Eu não quero que as palavras morram. Mas, ao final delas, não me mande ‘beijos’ virtuais, desligue isso aí e venha até aqui me beijar.
— Camile Heloíze.