segunda-feira, 21 de março de 2016

Muita Coisa Inacabada Porque a Gente Acabou - Part VII.

“Ontem a gente transou, lembra? Passei a vida toda cruzando esquinas para me deparar com algum tipo de Volvo e sempre tive o azar de bater em Kombi’s. Até que um modelo tradicional com aquele simbolozinho da Volkswagen na frente de todo o tamanho não é nada mal, mas quando o assunto é você, tudo vai de mal a pior. Janeiro, verão, festa da Marcinha (amiga em comum daquele que não deve ser nomeado, e nem é do Voldemort que estou falando, antes fosse), vou ou não vou? Não vou porque você vai estar lá. Vou porque você vai estar lá. Jeans ou vestido? Vestido! De preferência o mais curto, o mais lindo, o mais abusado. Pego o celular com a intenção de convidar JP para a festa. Chamando. Lembro de você. Ouço um “alô” do outro lado da linha. Desligo. Respiro fundo. Droga!  Já são 22h e ainda não decidi se vou ou se fico. Vou! Cabelo solto ou preso? Prendo porque você detesta meu rabo de cavalo. Solto porque você se amarra nos meus quase cachos entre as pontas. Solto! Muita ou pouca maquiagem? Muita porque você tem alergia a minha base. Pouca porque você é fã das minhas sardas. E eu odeio as minhas sardas! MUITA! Em meio à correria, me deparo com meu cachorro no sofá de cabeça pra baixo a espera de um carinho na barriga. Massageio sua barriga por míseros 5 minutos e decido o quanto eu queria ser meu cachorro pra poder receber alguns carinhos. Prometo que me contento com 5 minutinhos. Dou tchau pro meu cachorro, pras flores que ganhei semana passada que nem estão vivas mais, pro vizinho do 508, pro porteiro… Deus do céu, quando foi que me tornei tão simpática? Tá tocando Coldplay no carro. Não sei o nome da música, mas sei o refrão. Canto bem alto. Ai eu lembro o quanto você amava essa música. Troco de rádio. Passo todas as rádios possíveis pra encontrar uma música que não me lembre você. Desligo o rádio. Te xingo mentalmente com todos os palavrões existentes possíveis, e fico um pouquinho mais feliz. Festa chata, música chata, pessoas chatas, por que diabos eu vim? Marcinha fica feliz com minha presença, agradece o presente e pede para que eu fique a vontade. Não dá pra ficar a vontade em uma festa em que eu não conheço NINGUÉM! Tá que o Pedro veio, a Bia, o PC, o Rafa, você…? Você veio! Nossos olhares não se cruzam, eles se amarram e dão um nó. Pego uma bebida para me distrair, não muito satisfeito você vem atrás com aquele papo mole.
- Tá fugindo de mim?
- Você tá bêbado?
- Não respondeu minha pergunta.
- Por que estaria fugindo de você?
- Talvez porque eu ainda mexo com alguma parte ai de dentro.
- Você tá bêbado.
- EU NÃO TÔ BÊBADO!
- Você tá falando embolado.
- Talvez eu tenha bebido um pouquinho e tals.
- Você falou que tinha parado de beber.
- Você falou que eu era o amor da sua vida.
Silêncio.
- Cadê ele?
- Ele quem?
- O cara que tem comido a minha mulher.
- Para de falar assim.
- Assim como?
- Como se eu fosse a refeição do dia.
- Se você fosse a refeição do dia, saiba que eu te comeria sempre haha.
- Chega, vamos embora.
- Vamos. Vamos pra onde?
- Pra onde você não deveria ter saído; sua casa.
- Eu sempre disse que minha cama era melhor que a sua.
- Nós não vamos transar.
- Nem fazer amor?
- Nem fazer amor.
- Uma chupadinha de leve cairia bem.
- Nem transar, nem fazer amor, e muito menos uma chupadinha de leve.
- Quando foi que você se tornou tão careta?
- Quando foi que você se tornou tão idiota?
- Garotas gostam de idiotas.
- Homens gostam de caretas.
Silêncio.
- Precisa de ajuda pra entrar?
- Acho que minha mãe mudou a fechadura.
- Ah claro, sem dúvidas. Me dá isso aqui. Pronto.
- Não quer entrar?
- Não quero muitas coisas.
- Nem transar? Tô falando de sexo casual. Prometo!
- BOA NOITE!
Foi só a chance deu virar pra ir embora que você vomitou a varanda toda, a sua camiseta toda, o tapete favorito da sua mãe todo. Tive que dar uma de babá e te dar um banho gelado. Não foi lá sacrifício, porque te ver bêbado e semi nu me deixou mais excitada que todas as noites de sexo que já passamos juntos. Fomos pra cama. Você desmaiado de um lado, e eu vendo você dormir do outro. Não, a gente não transou, nem fizemos sexo e muito menos amor, mas ouvir você chamar meu nome em meio a um sonho valeu mais do que qualquer orgasmo.”

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